Pesquisas recentes vêm desconstruindo a ideia de que o terror serve apenas ao medo puro. Evidências apontam que filmes assustadores podem atuar como um verdadeiro “treino emocional”, ajudando a reduzir sintomas de ansiedade, depressão e pensamentos negativos.
Um dos trabalhos mais citados, conduzido pela Universidade de Chicago, analisou a reação de fãs de horror diante de situações estressantes do cotidiano. Os resultados revelaram que quem costuma assistir a esses filmes desenvolve maior resiliência psicológica e se mostra mais preparado para enfrentar incertezas e cenários extremos. Outro estudo, publicado na revista *Personality and Individual Differences*, reforça essa perspectiva ao demonstrar que o consumo controlado de terror permite que o cérebro simule perigos em um ambiente seguro, fortalecendo mecanismos de enfrentamento emocional. Em termos fisiológicos, o horror ativa respostas como aumento da frequência cardí‑car e liberação de adrenalina, mas, ao saber que tudo é ficção, o cérebro aprende a processar emoções intensas sem risco real, reduzindo a sensibilidade a estímulos negativos no dia a dia.
Após o pico de tensão, o organismo libera dopamina e endorfinas, gerando prazer e alívio semelhantes aos obtidos com exercícios físicos ou atividades radicais. Dados do NCBI indicam que experiências intensas e controladas, como as proporcionadas pelo gênero, podem melhorar a regulação emocional e diminuir pensamentos intrusivos, especialmente em quem já aprecia o terror. Contudo, os especialistas alertam que os efeitos não são universais; pessoas com ansiedade severa podem ter o efeito oposto, experimentando mais estresse, insônia ou intensificação de medos. Quando consumido de forma equilibrada, o terror pode, portanto, ser mais que entretenimento: ao confrontar o espectador com seus medos fictícios, oferece uma ferramenta inesperada de autoconhecimento e fortalecimento emocional.


