Durante décadas Zelda Fitzgerald foi reduzida a musa da Era do Jazz e à sombra do marido, F. Scott Fitzgerald. O novo solo teatral ‘A Última Valsa de Zelda Fitzgerald’, escrito por Larissa da Matta em parceria com Pedro Amaral, rompe esse estereótipo ao colocar a artista, escritora e pensadora no centro da narrativa. O espetáculo estreou no espaço O Andar, em São Paulo, e propõe ao público uma imersão na vida de Zelda, desde sua infância no sul dos EUA até o auge social dos anos 1920, passando pelos confrontos conjugais, pelas crises de saúde mental e pela luta pela autoria de sua própria história.
A produção nasce da curiosidade de Larissa, que aos 15 anos viu Zelda em ‘Meia‑Noite em Paris’ e ficou incomodada com a imagem de mulher descontrolada. A leitura de ‘O Grande Gatsby’ e o prefácio que culpava a esposa pelos fracassos do marido aprofundaram a necessidade de investigar a verdade por trás da lenda. A descoberta do romance inacabado de Zelda, ‘Esta Valsa é Minha’, publicado pela Companhia das Letras, forneceu a linguagem fragmentada e poética que deu forma ao texto cênico.
No palco, a história se desenrola entre festas, delírios, memórias e internações, revelando uma figura intensa, contraditória e profundamente humana. O solo dialoga tanto com amantes de literatura e história quanto com quem busca narrativas de mulheres complexas e contemporâneas. Ao trazer Zelda de volta aos holofotes, a peça não só revisita o passado, mas também questiona os mecanismos que ainda silenciam vozes femininas. A montagem, primeira produção da plataforma Foyer, reforça o compromisso de criar projetos autorais que unem arte, reflexão e relevância atual.


