O renomado escritor britânico Alan Moore voltou a fazer declarações contundentes sobre sua trajetória na indústria dos quadrinhos. Em conversa concedida à revista Retrofuturista, divulgada pelo site Bleeding Cool, o autor revisitou sua carreira, mas optou por não mencionar títulos consagrados como *Watchmen* e *V de Vingança*. Para Moore, essas obras passaram a ser vistas como “rejeitadas” ou “deserdadas” devido a desentendimentos contratuais com a DC Comics.
O acordo original estipulava que os direitos autorais retornariam aos criadores caso as edições fossem retiradas de catálogo. Como as publicações se tornaram sucessos de vendas, essa cláusula nunca foi acionada, permitindo que a editora continuasse a explorar as propriedades em adaptações, séries e filmes, contra a vontade expressa do roteirista. Em resposta, Moore renunciou a qualquer envolvimento futuro e instruiu a Warner Bros. a repassar todos os royalties das adaptações a seus co‑criadores, Dave Gibbons e David Lloyd.
Quando questionado se suas narrativas buscavam desconstruir a nostalgia ligada ao heroísmo, Moore foi categórico: “A obra rejeitada que você menciona revela, sobretudo, a limitação do público para histórias de aventura com super‑heróis”. Ele descreve a nostalgia como uma “doença cultural”, usada como ferramenta comercial por quem prefere refugiar‑se em um passado idealizado ao invés de enfrentar as responsabilidades do presente.
Sobre a atual relevância de seus roteiros, o escritor afirma que a intenção original era fazer um diagnóstico da sociedade, e que a percepção de profecia se deve mais a uma falha coletiva de imaginação do que a qualquer talento premonitório. Moore também aponta que a produção incessante de prequels e sequências por outros autores reforçou sua convicção de que grande parte de seu trabalho nunca foi plenamente compreendida pelos fãs de super‑heróis.
Afastado das HQs, Moore concentra-se agora na literatura tradicional. Seu próximo livro, *I Hear A New World*, será lançado nos Estados Unidos e no Reino Unido em 21 de maio pela editora Bloomsbury Archer, ainda sem data prevista para o Brasil.


