A terceira e definitiva temporada da série histórica tenta fechar a trajetória da advogada pioneira Lidia Poët com um caso carregado de peso emocional e relevância social. O arco central gira em torno do julgamento de Grazia, amiga íntima de Lidia, acusada de assassinar o marido abusivo. Embora a premissa seja potente e abra espaço para discussões sobre violência contra a mulher e desigualdade judicial, a execução não consegue transformar toda a carga dramática em impacto real.
O grande obstáculo permanece a estrutura previsível que permeia quase todos os episódios. Cada investigação segue um padrão quase mecânico: Lidia confronta suspeitos, troca ideias com o irmão Enrico, descobre uma pista decisiva nos momentos finais e, quase que de forma automática, apresenta a solução. Essa fórmula desgastada impede a criação de suspense verdadeiro, tornando os casos menos envolventes e sem a urgência necessária para prender o espectador. Quando a trama oferece situações promissoras – como a morte misteriosa de uma trapezista no primeiro capítulo – a produção opta por caminhos seguros, reforçando a sensação de piloto automático.
O julgamento de Grazia representa, sem dúvida, o ponto alto da temporada. Ao colocar uma mulher no banco dos réus por reagir a anos de abuso, a série aborda temáticas históricas e ainda atuais, como machismo, violência doméstica e falhas do sistema judicial. Esses elementos trazem momentos de grande carga emocional, sobretudo nas falas finais de Enrico, escritas por Lidia. Contudo, a narrativa não se sustenta apenas nesse peso, e escolhas apressadas acabam diluindo o efeito desejado.
Matilda De Angelis continua sendo o maior trunfo da produção. Seu carisma e presença dão vida a Lidia, mantendo o interesse do público mesmo quando o roteiro vacila. Ainda assim, a personagem peca por não ser explorada além do âmbito jurídico; sua inserção no cenário político, científico e cultural da época poderia ter acrescentado camadas essenciais. No fim, a série encerra sua jornada com dignidade, mas deixa claro que o potencial da protagonista jamais foi plenamente explorado.


