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    Lee Cronin aposta no conhecido e entrega um terror morno em “Maldição da Múmia”

    Quatro anos após o sucesso estrondoso da quinta parte da saga ‘A Morte do Demônio’, Lee Cronin volta ao cinema com um novo projeto, desta vez em parceria com Atomic Monster e Blumhouse. O filme, intitulado ‘Maldição da Múmia’, tenta revitalizar as lendas egípcias, mas acaba se apoiando em fórmulas já gastas. A trama acompanha o jornalista Charlie Cannon (Jack Reynor) e sua esposa Lari (Laia Costa), que veem a vida virar de cabeça para baixo quando a filha mais velha, Katie (Emily Mitchell), desaparece misteriosamente no Cairo. Oito anos depois, Katie reaparece envolta em bandagens antigas, dentro de um sarcófago de mais de três mil anos, trazendo consigo uma presença maléfica que ameaça transformar a família em um pesadelo vivente.

    A ambientação alterna entre o calor escaldante das ruas do Cairo e a aridez de Albuquerque, capturada com uma fotografia que lembra uma “suspensão temporal”, graças ao trabalho de Dave Garbett. Embora o visual seja consistente, a narrativa peca por se apoiar em clichês do gênero, oferecendo poucos momentos de verdadeira inovação. O roteiro, também assinado por Cronin, apresenta decisões questionáveis que não aprofundam os arcos dos personagens, e a trilha sonora de Stephen McKeon recicla os mesmos acordes típicos de filmes de terror.

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    Entre os pontos positivos, destaca-se a sequência de abertura, que cria tensão de forma eficaz, e algumas cenas de suspense que conseguem surpreender antes dos habituais jump‑scares. O elenco, porém, é o verdadeiro destaque: Natalie Grace entrega uma performance corporal impressionante ao interpretar a Katie adulta, enquanto May Calamawy brilha como a detetive Dalia Zaki, encarregada de desvendar o retorno da garota. Reynor e Costa têm momentos de brilho, mas são ofuscados pela falta de profundidade da história.

    Cronin demonstra ainda sua paixão pelas raízes do horror, mas, ao contrário das explosões de sangue que marcaram seus trabalhos anteriores, aqui ele opta por um tom mais contido que, infelizmente, não gera o mesmo impacto. O filme tenta explorar temas de fé e demônios, mas a execução acaba sendo superficial, resultando em uma experiência que se sente mais como uma extensão segura do que uma aposta ousada.

    Em suma, ‘Maldição da Múmia’ tem potencial visual e conta com um elenco competente, mas falha ao não arriscar o desconhecido, preferindo reciclar fórmulas já testadas. O resultado é um terror mediano que deixa o espectador mais frustrado que assustado.

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