Baseado no romance homônimo de Giuliano da Empoli, o filme apresenta Vadim Baranov (Paul Dano), uma versão ficcional do influente político e empresário Vladislav Surkov. Jovem apaixonado pelas artes, Vadim ingressa inesperadamente na política russa e se torna o braço‑direito de Vladimir Putin (Jude Law), ajudando a consolidar o poder em Moscou durante as décadas de 1970 a 2010. A trama se desenvolve como um relato confidencial ao acadêmico Rowland (Jeffrey Wright), que visita Moscou e recebe a história de Vadim, repleta de intrigas, exílio e reflexões existenciais.
O diretor Olivier Assayas, conhecido por obras como ‘Personal Shopper’ e ‘Irma Vep’, tenta mesclar suspense político e drama satírico, mas acaba preso a uma estrutura que parece mais uma aula de história do que um filme inovador. Embora a fotografia capture a frieza da neve russa e o isolamento dos personagens, o roteiro, co‑escrito com Emmanuel Carrère, recorre a metáforas desgastadas e diálogos previsíveis, resultando em personagens unidimensionais.
O ponto alto da produção é o elenco. Paul Dano entrega uma performance intensa, transformando linhas monótonas em discursos impactantes sobre o poder. Jude Law encarna Putin com presença ameaçadora, enquanto Jeffrey Wright, Alicia Vikander, Will Keen e Tom Sturridge acrescentam momentos de brilho. Apesar desses méritos, o filme não consegue definir seu caminho: fica preso entre realidade e ficção, oferecendo pouco além da atuação dos atores. ‘O Mago do Kremlin’ chega aos cinemas brasileiros em 9 de abril, prometendo agradar aos fãs de drama político, mas sem grandes surpresas para o gênero.


