A gigante do streaming investiu meio milhão de reais para que a ex‑presidiária Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos pais há mais de duas décadas, autorize a realização de um filme documental sobre sua trajetória. O projeto, ainda sem data de estreia, tem o título provisório “Suzane Vai Falar” e deve ter cerca de duas horas de duração.
Nas entrevistas, Suzane descreve a mansão familiar como um ambiente frio, onde o foco era exclusivamente nas notas escolares. “Eu vivia estudando, tirava 9 e 10 em tudo. Não havia demonstração de afeto, nem dos meus pais nem entre nós. Meu pai era distante, minha mãe mostrava carinho apenas em raras ocasiões”, relata.
O relato também traz à tona episódios de violência doméstica. Suzane afirma ter ouvido o pai agredindo a mãe, descrevendo a cena como “horrível”. Ela ainda conta que, rejeitado pelos pais, manteve um relacionamento secreto com Daniel Cravinhos, vivendo uma vida dupla que culminou em discussões frequentes e agressões físicas.
Segundo a narrativa, o ponto de ruptura ocorreu durante uma viagem de 30 dias dos pais à Europa, período em que Daniel se mudou para a casa dos Richthofen. Suzane descreve esse mês como “total liberdade, sexo, drogas e rock’n’roll”, que teria alterado a dinâmica familiar.
Sobre o planejamento do crime, Suzane afirma que a ideia de eliminar os pais surgiu gradualmente, alimentada pelo desejo de que “não existissem”. Embora negue ter participado da confecção das armas, admite ter facilitado a entrada dos agressores na noite de 31 de outubro de 2002. “Eu não construí a arma, mas levei os assassinos para dentro da casa. A culpa é minha”, confessa.
No dia dos assassinatos, Suzane conta que permaneceu no andar inferior, sentada no sofá, com a mão no ouvido para não ouvir o que acontecia. Ela descreve um estado de dissociação: “Eu me sentia como um robô, sem sentimento. Quando tudo acabou, percebi que não havia volta”.
Hoje, com 42 anos, Suzane cumpre pena em regime aberto desde janeiro de 2023, residindo em Bragança Paulista ao lado do marido, o médico Felipe Zecchini Muniz. O documentário ainda não tem data de lançamento definida.


