Após quatro anos de hiato, a série Euphoria volta à HBO Max com a terceira temporada, tentando deixar para trás o universo escolar que definiu sua identidade. Agora, os personagens enfrentam casamentos, dívidas, gravidez e crises pessoais, trazendo um novo fôlego visual que destaca a estética ainda impressionante da produção.
O diretor Sam Levinson mantém o estilo que fez o programa um fenômeno: enquadramentos elaborados, fotografia cinematográfica e cenas pensadas para causar impacto imediato. Zendaya continua firme como Rue, oferecendo performances que ainda prendem a atenção. Contudo, a ausência do colégio como eixo central faz a trama perder coesão, parecendo vaguear sem um rumo claro.
Os personagens evoluem de maneira abrupta. Nate Jacobs, por exemplo, parece quase irreconhecível, não por um desenvolvimento natural, mas por ajustes de roteiro que servem mais à conveniência dramática. Temas como prostituição virtual, relações de interesse e desigualdade social são abordados de forma superficial, sem aprofundar os conflitos internos.
A trilha sonora de Labrinth, que antes era a espinha emocional da série, desaparece nos primeiros episódios, deixando um vazio que reforça a sensação de distanciamento. Essa falta de identidade sonora evidencia ainda mais a fragilidade da narrativa, que tenta crescer junto com seus personagens, mas acaba tropeçando em sua própria ambição.
Mesmo com os problemas de enredo, a direção continua ousada, os figurinos permanecem marcantes e a fotografia mantém um padrão elevado, garantindo momentos hipnotizantes. No entanto, esses recursos visuais já não conseguem mascarar a falta de foco da história, que se torna a temporada mais criticada da série até hoje.
Euphoria segue exibindo novos episódios aos domingos, às 22h, na HBO Max, mas a crítica aponta que talvez seja hora de encerrar a série antes que a qualidade continue a declinar.


