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    Crítica: ‘The Mortuary Assistant’ – Terror sem vida que falha como adaptação de videogame

    Depois da desastrosa tentativa de transformar ‘Silent Hill’ em cinema, a expectativa para o próximo longa da franquia ‘Resident Evil’ ainda paira no ar. Entretanto, a nova adaptação de videogame que chega às telas – ‘The Mortuary Assistant’ – mostra que a maldição das versões cinematográficas ainda persiste. Em teoria, o filme poderia ter sido uma experiência assustadora e fiel ao jogo, mas rapidamente se transforma em uma das piores produções de horror do ano.

    A trama acompanha Rebecca Owens, recém‑formada em ciências mortuárias, que aceita um turno noturno na Funerária River Fields. O que começa como um trabalho rotineiro – embalsamar corpos, preencher papéis e cuidar do local – ganha contornos macabros quando a noite avança. O diretor Jeremiah Kipp, com mais de sessenta créditos em sua filmografia, já comandava obras de orçamento reduzido, incluindo um terror estrelado por Nana Gouvêa. Contudo, ao tentar ampliar sua ambição, ele entrega um filme cuja direção lembra produções direto‑para‑vídeo dos anos 2000.

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    A ambientação é, sem dúvida, um ponto alto: corredores sombrios, luzes piscantes e a estética de um necrotério bem pesquisada criam uma atmosfera que poderia gerar tensão. Mas a execução falha ao apresentar o terror de forma óbvia e sem sutileza. Em vez de sugerir o perigo, a câmera exibe a entidade em plena luz, anulando qualquer suspense. A construção de tensão, essencial ao gênero, simplesmente não acontece.

    O roteiro também tropeça ao tentar encaixar mecânicas de gameplay em um formato de 90 minutos. A narrativa se torna acelerada e repetitiva, deixando lacunas importantes da história original, sobretudo no desenvolvimento do personagem de Paul Sparks. Embora alguns momentos brilhem pelos efeitos práticos de maquiagem – especialmente nas cenas de embalsamento que agradam os fãs do jogo – esses lampejos de qualidade são rapidamente ofuscados pelas escolhas ruins de direção e escrita.

    Em suma, ‘The Mortuary Assistant’ não precisava reinventar o horror, mas acabou sendo tão entediante que assistir a uma gameplay no YouTube oferece mais emoção do que o filme. A produção desperdiça o potencial do material fonte, entregando uma experiência sem vida que deixa o espectador mais interessado no funeral da própria obra.

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